
Pensei bastante sobre o que eu faço para contribuir por uma infância sem racismo e primeiro me veio na cabeça: nada!
Nada efetivo, tudo bem que o fato de ser negra já contribui para fazer alguma coisa, nem que seja me expor para que as pessoas continuem se acostumando ou refletindo sobre algumas situações que passei ou passo. Sou bem pessimista em relação a isso, acho praticamente impossível uma criança ter uma infância sem racismo e por isso fico sofrendo antecipadamente por meus (futuros) filhos.
Depois percebi que tenho feito alguma coisa sim.
Já fui muito preconceituosa sobre várias coisas, aí um dia caiu a ficha e pensei: do mesmo jeito que não gosto de determinadas características nas outras pessoas, elas também tem todo o direito de não gostar das minhas. Nunca fui uma preconceituosa de praticar bullying, mas não acho que isso amenize, pois você é responsável pela educação de outras pessoas, dando uma influência direta e perigosa.
Então comecei a tentar fazer a minha parte, sempre me policiar quando pensava sobre os chineses e suas falsificações, seu jeito de falar engraçado no Stand Center (um antigo local de compras de artigos de informática em SP), evitar ficar olhando para os bolivianos que povoam os locais de produção de roupas e artigos têxteis como se eles fossem de outro mundo, não ficar com raiva do porteiro mal educado e internamente “chamá-lo” de baiano e mil outras manias que temos e achamos normal.
Pode parecer pouco e muito simples, mas não é… são atitudes que crescemos vendo e achando normal, pois não somos nós que sofremos aquele tipo de preconceito. O ser humano tem aquela mania de achar que o seu sofrimento é sempre maior do que o dos outros, será que ser chamada de neguinha é pior do que ser chamada de baiana? Se você me perguntar, vou dizer que sim, pois só eu (uma negra) sei o quanto isso ofende, mas também não sou baiana para saber o quanto esse chamar pejorativo incomoda.
Tento me policiar todos os dias, confesso que falho uma centena de vezes, mas só o fato de reconhecer e perceber que errei em alguns momentos já é mais um passo para a mudança de pensamento. Desde que comecei essa auto terapia melhorei bastante, mas às vezes sou levada pelo grupo, pelas piadinhas e eventos rotineiros.
No começo do texto disse que era pessimista em relação a uma criança conseguir ter uma infância sem preconceito, mas no fundo tenho esperanças (por isso ainda quero ter filhos) e estou fazendo a minha parte.
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ML,
Cheguei no seu blog através do Desabafo de Mãe, as suas reflexões são muito verdadeiras, e de vez em quando me pego me policiando também, a respeito de preconceitos que tenho, e que por vezes não enxergo como tal. Sinto que é um começo, para uma transformação maior. Tenho dois filhos, que são filhos de uma mistura (mãe negra, e pai branco), e quero que eles continuem livres. Pois acredito que nascemos livres e depois vamos nos aprisionando em padrões e pré- conceitos.
Queria parabenizá-la pelo site e incentivá-la a continuar com o seu sonho de ser mãe. A maternidade é maravilhosa e transformadora. Vá em frente, eu estarei torcendo.
Valéria (mãe do Gabriel e do Christian)
Valéria,
Obrigada pelas palavras de apoio, fico muito feliz e emocionada quando recebo comentários como o seu, me fazem acreditar que as próximas gerações serão mais felizes e saberão respeitar o seu próximo.
Torço para que consiga criar seus filhos livres de preconceitos, não deixe mesmo que o lado limitado do mundo os corrompa.
Beijos
Liana
Oi Liana,
Adorei este post, fiz um post com o mesmo título mesmo não entendendo muito sobre colocar os link’s e já passado na data para propaganda da campanha, mas acho muito válido falar sobre, porque é dificil mesmo admitir que temos preconceito mesmo em coisas que pra nós é pequena.
Mas qdo pensamos bem: ser chamada de sapatã (por ex.) é pequeno pra quem chama, mas nós que recebemos…
Bjos
Oi Renata!
Pois é, sempre é mais dolorido p/ nós que recebemos e mesmo assim as vezes destilamos um preconceito aqui outro acolá, estou tentado me policiar.
Vou passar lá no seu blog p/ ler.
O Bruno conseguiu falar com vocês?
Bjs
Liana
Eu te amo, pela sua cor, por quem você é, pela vida que temos e filhos que iremos gerar!
Oi Bê!
Também te amo!
Liana
olá,
cheguei aqui pelo desabafo de mãe e adorei a sua reflexão. concordo que, aliás acabei de escrever isso, reconhecer nossos próprios precinceitos e nos policiar é uma estratégia para começar a lutar contra o racismo e contra outras formas de preconeitos igualmente danosas.
como baiana te digo que não me incomodo em nada quando se referem ou me chamam de baiana. o que incomoda é ver alguém (quem não necessariamente é baiano) sendo chamado de baiano por ter cometido um “erro”. da mesma forma que penso que não incomoda em nada eu chamar você de preta, de negra, mas que te incomodaria se eu bradasse um “só podia ser preto” diante de algum equívoco, ou um “só podia ser mulher”.
o que incomoda é a esta generalização pelo erro, pelo folclore como se todo chinês fosse falsificador, todo morador de comunidade fosse ladão. ou não é?
abraços
Oi Mariana,
Isso mesmo, é o chamar pejorativo que incomoda e perpetua o preconceito.
E acho que o caminho é esse, nos policiar e entender que o fato da pessoa ser boa ou ruim não depende da raça ou característica da pessoa.
Vou passar no seu blog p/ ler seu post, tem saído muitas reflexões interessantes.
Beijos
Liana
A Ceila não está conseguindo comentar, então vou colocar aqui:
Parabéns pelo mergulho. Eu sinto que o racismo se enfrenta a partir do momento que a gente busca saber quem somos, admitimos nossas características e aí fica mais fácil de reconhecer as diferenças e respeitá-las. Quem ainda se machuca com aquilo que é (negro, japonês, chinês ou judeu), com a história que carrega nesta cor também dificulta o respeito a diferença. Valeu, muito obrigada pela participação e estou aqui torcendo cada vez mais para vcs conseguirem ter seus filhos que terão uma oportunidade abençoada de respeitar as diferenças e as escolhas.
pediria para vc inserir a url do seu post para contabilizarmos sua participação na postagem da blogagem coletiva, pode ser?
Segue link: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/03/racismo-tambem-e-papo-de-mae.html
Ceila
http://www.grupocria.com.br
http://blogdodesabafodemae.blogspot.com
http://twitter.com/ceila
Parabéns pelo mergulho. Eu sinto que o racismo se enfrenta a partir do momento que a gente busca saber quem somos, admitimos nossas características e aí fica mais fácil de reconhecer as diferenças e respeitá-las. Quem ainda se machuca com aquilo que é (negro, japonês, chinês ou judeu), com a história que carrega nesta cor também dificulta o respeito a diferença. Valeu, muito obrigada pela participação e estou aqui torcendo cada vez mais para vcs conseguirem ter seus filhos que terão uma oportunidade abençoada de respeitar as diferenças e as escolhas.
pediria para vc inserir a url do seu post para contabilizarmos sua participação na postagem da blogagem coletiva, pode ser?
Segue link: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/03/racismo-tambem-e-papo-de-mae.html